Revista Brasileira de Alcoólicos Anônimos
   
 
   
 
   
       
   
 
  Deus, como nós O concebíamos
Al-Anon

Nasci numa família religiosa e recebi desde cedo seus princípio. Acreditava em Deus, tinha idéia clara de sua grandeza. Sempre fui envolvida em trabalhos de ajuda ao próximo e achava-me pronta para, quem sabe um dia, ir “para o céu”. Não me dava conta das minhas dificuldades, embora fosse bastante rancorosa, orgulhosa e perfeccionista. Também não me achava egoísta, afinal estava sempre pronta a ajudar. Errar, para mim, era inaceitável, assim, cobrava de mim e também dos outros, a perfeição.

A vida seguia numa relativa normalidade.

Certo dia, uma amiga me convidou para conhecer um Grupo Al-Anon. Fui mesmo sem entender o porquê do convite. Achei interessante. Parecia um espaço de prestar serviços, e fui ficando... Pensava: - Como trabalho em comunidades carentes, onde o alcoolismo está muito presente, isso vai me servir para ajudar outras pessoas.
O tempo foi passando e continuava acreditando num Deus distante, inacessível. Os problemas da minha vida resolvia à minha maneira. Permanecia no Grupo como espectadora, afinal me considerava “pronta”.

Tinha um familiar com problemas de alcoolismo, mas só me dei conta disso quando a situação se agravou. A companheira que me levou ao Grupo naturalmente já sabia, só eu, por negação, não percebi.

Começavam a “cair minhas fichas” a partir das experiências compartilhadas nas reuniões.

Meu contato com o Poder Superior, devagarzinho, ficava mais íntimo. Então, Ele resolveu dar “uma mãozinha” neste processo e me surpreendeu com um câncer.

Assustador no começo. Depois tive muita raiva, afinal uma pessoa tão prestativa, religiosa, com prováveis “asas de anjo” não merecia passar por isso.
O tratamento foi bastante difícil, mas muito importante, pois contribuiu para tratar também minha alma, reduzindo meu orgulho e me aproximando do colo paterno, que sempre esteve ali, pronto a me acolher.

Levada pela dor fui me aninhando como uma criança medrosa, no Seu colo, descobrindo a importância desta experiência para o meu crescimento e que poderia usufruir de Sua companhia e Seu amor. Afinal, Ele não estava distante, inacessível.

Estava junto de mim, dizendo: - Filha, é sua chance de crescer, vencer suas barreiras internas e, realmente, ser feliz!

Hoje sou uma pessoa melhor, consigo compreender as dificuldades dos outros porque, com a ajuda dos Doze Passos estou trabalhando persistentemente para descobrir e minimizar as minhas. Tento exercitar a Oração da Serenidade em minha vida aceitando o que é preciso, modificando o que é necessário e me esforçando para usar sabedoria em minhas escolhas.

“No meio do inverno, final-mente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível.” Albert Camus - Entraido do livro B-16 Coragem para Mudar- Um dia de cada vez no Al-Anon II

 “Quando finalmente compreendo que os meus problemas são grandes demais para eu resolver sozinho... Não preciso ficar sozinho com eles, se estiver disposto a aceitar a ajuda de um Poder Superior.”


 Os Doze Passos e as Doze Tradições do Al-Anon -  Extraído do livro B-16 Coragem para Mudar- Um dia
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